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“Quero meu TV burro”

O título acima foi usado pelo competente jornalista americano David Katzmayer, do site Cnet, ao comentar a nova geração de televisores que os fabricantes chamam de “smart”. Responsável pelos testes de equipamentos publicados no site, Katzmayer diz que, pessoalmente, não tem interesse pela enorme quantidade de recursos que vêm sendo agregados aos smart TVs: imagens 3D, acesso a uma infinidade de serviços via internet, controles remotos que fazem tudo… Radical, ele sentencia: o que interessa, mesmo, é a qualidade da imagem!

Katzmaier argumenta que, como usuário, se contentaria com um “TV burro” (Dumb TV) mais barato, em lugar de um TV inteligente (Smart TV). “Dumb” é como ele define um monitor básico, TV que possa ser conectado a qualquer outro aparelho para exibir lindas imagens e que não traga embutido nenhum recurso extra. Conheço algumas pessoas que compartilham essa opinião. Aqui mesmo, neste blog, já houve manifestações nesse sentido. Muitos acham que os fabricantes querem simplesmente aumentar suas margens de lucro adicionando recursos que as pessoas não irão usar. Deve ser verdade. Aliás, é assim que acontece desde que a revolução industrial tornou possível produzir bens de consumo durável em alta escala. É assim o capitalismo.

Com todo respeito ao nobre colega, nada mais distante da realidade econômica, industrial e social de hoje. Nenhum fabricante irá lançar um dumb TV, pelo bom motivo de que ninguém iria comprá-lo. Pode ser tentador achar que a indústria ganha rios de dinheiro vendendo itens supérfluos – é isso de fato acontece, em muitos casos. Mas quem raciocina assim despreza o esforço de milhares, talvez milhões, de profissionais de design e engenharia cujo trabalho é buscar a inovação e a superação, sempre e sempre.

Não fosse assim, ainda estaríamos vendo nossos filmes em preto e branco e ouvindo música em rádios de pilha.

Bem, o assunto é polêmico e dá uma boa discussão. Voltaremos a ele num dos próximos posts.

Férias forçadas

Amigos, após alguns dias de recesso obrigatório em função de uma pequena cirurgia, cá estamos de volta. Vamos ter que “pegar no tranco”, como se diz, para ir atualizando o que acontece nesse mundo maluco da tecnologia. Alguns assuntos, que poderiam ter rendido comentários aqui, ficaram para trás por força da simples desatualização: a overdose de informação é tamanha que o importante da semana passada já foi para segundo ou terceiro plano. Enfim, bora pegar no tranco.

Uma das notícias mais importantes dos últimos tempos foi a aprovação da Lei de Acesso à Informação, que entra em vigor nesta quinta-feira. A partir de agora, os órgãos públicos são obrigados (isso mesmo: OBRIGADOS) a fornecer qualquer tipo de informação solicitada por um cidadão – exceção feita a dados sigilosos, ligados à segurança do país. A lei vale para todos os governos, prefeituras, secretarias, ministérios, empresas estatais e também entidades (como aquelas que se dizem “sem fins lucrativos”) que recebam recursos públicos. Foi criado também o Portal Brasileiro de Dados Abertos, onde as pessoas poderão buscar dados sobre a administração pública de forma mais fácil e rápida. Importante: em todas as cidades com mais de 10 mil habitantes, passa a ser obrigatório divulgar as informações pela internet.

Pode parecer pouco, mas para quem – como eu – cresceu convivendo com burocracia e falta de respeito partindo de funcionários públicos, começando do presidente da República e chegando até o carimbador de documentos fornecidos pelos cartórios (estes ainda uma das grandes pragas nacionais), este é um dia a ser comemorado. Em todo país que se pretenda sério, o direito à informação sobre o governo é sagrado. E a tecnologia está aí para tornar esse direito uma realidade.

Agora, os problemas. A Lei de Acesso à Informação é uma vitória da sociedade, mas só terá efeito prático após sua regulamentação, que cabe aos distintos congressistas. Cabe, portanto, a nós, cidadãos e contribuintes, pressionar nesse sentido. Ou será que, de novo, vamos cair naquela conversa do “ganhou, mas não levou”?

Síndrome da politicagem

O excelente jornalista Jamil Chade, correspondente do Estadão em Genebra, relata como está o clima na Organização Mundial do Comércio em relação ao Brasil: péssimo! Como se já não houvesse pendências em número suficiente para discutir com outros países, o governo brasileiro agora quer implantar redes de comunicação 4G vetando o uso de equipamentos importados. Simplesmente está exigindo que as operadoras, para se qualificarem no leilão marcado para junho, se comprometam a usar pelo menos 60% de itens fabricados aqui. Na OMC, a decisão está sendo encarada como afronta às atuais regras internacionais de comércio – nem o Japão, que produz esses itens em escala planetária, fixou tal restrição.

Pode parecer bobagem, mas é nisso que dá a obsessão pela chamada “soberania nacional”, que já comentamos aqui. Com razão, representantes europeus e americanos na OMC perguntam se o Brasil deseja uma rede 4G que funcione ou uma que agrade à indústria nacional. As operadoras, se lhes fosse perguntado, certamente responderiam que preferem a primeira hipótese; o consumidor, então, nem se fala. E, no entanto, o governo insiste nessa conversa protecionista mais do que surrada.

Aguarda-se para hoje ou amanhã um pronunciamento oficial do Planalto sobre as acusações da OMC. Mas, pelo que já se sabe (leiam aqui), é bom não esperar nada de novo: dizem que é preciso frear as importações porque o mercado interno está aquecido. Ora, ora… não era exatamente essa a ideia – estimular o consumo interno?

Bem, não sou diplomata, nem economista, mas tenho a impressão de que, pela enésima vez, a implantação do 4G no Brasil será retardada. Será, lamentavelmente, mais um episódio em que a política (melhor talvez fosse dizer “politicagem”) trava o desenvolvimento tecnológico do país.

Conexões em revista

Para festejar seus 16 anos de existência, a revista HOME THEATER & CASA DIGITAL está saindo em maio com um encarte especial intitulado “Mundo Multimídia”. A edição contém uma nova abordagem de nossa equipe para o fenômeno que se convencionou chamar de “convergência digital”, hoje materializada na conectividade entre os diversos tipos de aparelho que usamos em nosso dia-a-dia. Certamente o leitor já leu centenas de notícias e artigos sobre o assunto, até porque essa característica dos eletrônicos atuais é realçada diariamente pelos fabricantes. A própria HT&CD destaca, em seus testes e reportagens, os produtos que têm a capacidade de se comunicar entre si e, com isso, adquirem novas utilidades para o usuário.

Nosso desafio foi mostrar tudo isso numa linguagem mais, digamos, didática e utilitária. Não foi fácil. Mesmo entre os fabricantes e profissionais do mercado, há muitas dúvidas sobre a eficiência da tal conectividade – dúvidas que se acentuam na hora de explicá-la ao usuário. Continua sendo um paradigma da indústria eletrônica brigar consigo mesma, em vez de apostar nas padronizações que simplificariam a vida de todos. E nem sempre se fornece ao consumidor a informação detalhada sobre aquilo que está comprando e os benefícios que pode extrair.

Bem, convido todos a conferir a edição de 16 anos e o encarte que a acompanha (circulam na próxima semana), mesmo que seja para criticar. É nossa edição 192, ou seja, daqui a pouco estaremos publicando a de número 200, e queremos brindar os leitores com outros assuntos tão fascinantes quanto esse. Sugestões? Escrevam.

Preparando o mundo 8K

Comentamos aqui várias vezes sobre os equipamentos de resolução 4K, e olhem só a notícia que chega do Japão: a Panasonic e a rede de TV NHK demonstraram na semana passada um display 8K, ou seja, com o dobro de pixels (exatamente 7.680 x 4.320). Trata-se de um plasma de 145 polegadas!!!

Não é propriamente uma novidade. Quando visitei a NHK, em 2008, assisti a uma demonstração desse tipo de tela, chamada “Super Hi-Vision” (mais detalhes aqui). Era um protótipo, e na época ninguém soube dizer quando poderia entrar em operação. Embora fosse um display 8K, as imagens exibidas eram 4K, pelo bom motivo de que não havia ainda câmeras para captar imagens com tamanha resolução.

Hoje, informa a própria NHK, já se pode falar em termos práticos sobre isso. Os engenheiros da emissora, que trabalham em parceria com diversos fabricantes, conseguiram desenvolver sensores capazes de registrar aquela quantidade de pontos de imagem (fazendo as contas, são 33.177.600 pixels). E parecem ter resolvido o principal problema na reprodução de sinais tão intensos: o flicker (cintilação) que resulta da projeção simultânea de tal quantidade de elementos – lembrando que cada pixel é composto de três subpixels, para as cores primárias (verde, azul e vermelho). A solução, como tinha de ser, veio na forma de processadores de altíssima capacidade, tecnicamente chamados drivers, trabalhando com algoritmos hipercomplexos, de tal modo que o registro, focalização, iluminação e transmissão de cada pixel seja estável (este vídeo, feito no ano passado, dá uma ideia).

A NHK informou ainda que estuda com a BBC uma forma de captar imagens da Olimpíada de Londres, em julho, com pelo menos uma câmera 8K e promover sessões públicas para exibir o material, quem sabe até ao vivo. Isso já foi feito anos atrás, mas o grau de dificuldade assusta até os mais experientes técnicos de televisão. Como se sabe, a Panasonic é patrocinadora oficial dos Jogos e já tem planejada a cobertura em 3D Full-HD; fazê-lo também em 8K, mesmo com toda a estrutura da BBC e da NHK, é um desafio e tanto. Tomara que consigam.

Quem consegue manter segredo?

Nesta era da comunicação em tempo real, uma das propriedades mais difíceis de proteger é o segredo industrial. Nos EUA e em alguns países da Europa, advogados têm se tornado milionários graças às ações movidas por empresas de tecnologia, umas contra as outras, num círculo vicioso que tende ao infinito. E o motivo quase sempre é o vazamento de segredos, que descamba para a quebra de patentes. No Brasil, essa conversa parece estranha, porque quase não há fiscalização sobre direitos de propriedade. Mas lá fora a coisa é séria.

Só que guardar segredo é algo cada vez mais problemático no mundo digital. Antes, era necessária uma montanha de papéis para registrar a descrição de um produto ou processo fabril; hoje, bastam alguns códigos. E, se pouca gente se preocupa com seus próprios dados pessoais, espalhados diariamente pelas redes sociais, que dizer de informações confidenciais pertencentes a empresas?

Paranoica com suas inovações (talvez por herança da personalidade errática de seu fundador), a Apple vê-se agora diante de uma tarefa inglória: tentar proteger os segredos por trás dos produtos que planeja lançar no futuro. Na semana passada, o site da BBC divulgou que a empresa mandou construir uma espécie de “restaurante secreto” – um prédio de dois andares onde os funcionários serão obrigados a fazer suas refeições e onde pessoas de fora não poderão entrar! “Queremos oferecer mais segurança a nossos funcionários, para que possam conversar e trocar idéias sobre seus projetos sem o risco de algum concorrente estar ouvindo”, explica Dan Whisenhunt, diretor de edificações da Apple.

O novo edifício não terá apenas um restaurante, mas também salas de reuniões, garagem e um quintal gramado, bem ao estilo do Vale do Silício. O que me espanta, no caso, é a ingenuidade. A Apple é a empresa mais admirada do planeta, e ao mesmo tempo a mais visada quando se trata de rumores e boatos. Aliás, faz questão de manter essa aura, que segundo dizia Steve Jobs ajuda a manter o interesse das pessoas pelos seus produtos. Agora, achar que os segredos deixarão de ser vazados simplesmente porque os funcionários almoçam num prédio de segurança máxima? Parece que os discípulos de Jobs vivem na era pré-digital…

O primeiro Blu-ray 4K

Há quem diga que é cedo demais, mas o fato é que na próxima semana começa a chegar às lojas on-line da Sony o primeiro Blu-ray player com capacidade de reproduzir imagens com resolução 4K. O modelo BDP-S790 (foto), que será vendido a partir de 250 dólares (preço-base para o mercado americano), terá capacidade de converter qualquer sinal de vídeo para 4K. O problema é que essa função não terá a menor utilidade imediata, pois ninguém ainda possui um TV ou monitor 4K – há apenas os projetores desse tipo, cujo preço final gira em torno dos US$ 25 mil (também nos EUA).

O objetivo da Sony, claro, é demarcar território. Já foi a primeira a lançar projetores 4K (vejam o teste aqui) e também acaba de colocar no mercado profissional as primeiras câmeras de televisão capazes de captar esse tipo de imagem. Credencia-se, portanto, a liderar um segmento que deve crescer nos próximos anos, assim que os consumidores assimilarem a revolução do Blu-ray. Este, como se sabe, gera imagens Full-HD (1.920 x 1.080 piles), enquanto o player 4K produz o dobro de resolução (3.840 x 2.160). Mais ainda: é compatível também com imagens 3D.

O novo player será o top de linha da Sony, com recursos como Wi-Fi embutido, circuito redutor de ruído para sinais da internet, acesso à rede Sony Entertainment Network e todas as demais comodidades da geração smart TV. Para processar tamanho detalhamento de sinais, o aparelho vem com processador de núcleo duplo.

Das promessas à realidade

Até a Copa de 2014, todas as cidades com mais de 50 mil habitantes estarão recebendo sinal de TV Digital. É a previsão do Fórum SBTVD, que regula as normas de transmissão e recepção no país. O problema: o Brasil tem 5.565 municípios e, destes, menos de 1.000 possuem 50 mil habitantes ou mais. Ou seja, cerca de 80% deles ficarão sem ver a Copa em TV Digital. Quanto representa isso em termos de população? Tomando por base o último censo do IBGE, aproximadamente 40 milhões.

Essa é a dura realidade, bem diferente das promessas feitas pelo ex-presidente Lula em 2007, quando inaugurou o Sistema Brasileiro de Televisão Digital. O chamado switch-off – quando todas as emissoras terão obrigatoriamente que desligar seus transmissores analógicos e passar a transmitir somente sinal digital – está marcado para 2016, mas a esta altura ninguém de bom senso acredita que esse cronograma possa ser cumprido. “Só se o governo decidir investir pesado”, diz Frederico Nogueira, ex-presidente e atual porta-voz do Fórum.

Nogueira, como todo mundo no Fórum, defende que o cronograma está indo bem, comparado com os de outros países. O fato de a maioria da população poder assistir à Copa com sinal digital, diz ele, é prova de que o SBTVD é um sucesso. “Em todos os países foi assim: cidades muito pequenas precisam de apoio financeiro do governo, porque não têm retorno comercial”, me disse ele. “Aliás, para as emissoras até agora a TV Digital só trouxe despesa, nada de retorno, a não ser pelo fato de que o telespectador recebe um sinal de melhor qualidade”.

A solução, ainda de acordo com o Fórum, é as prefeituras das pequenas cidades se mobilizarem. Nogueira explica que, em muitas localidades, o próprio prefeito manda instalar uma torre de recepção e cada residência coloca sua antena, de modo a captar o sinal que chega a uma cidade maior nas redondezas. “Talvez a Copa sirva de motivação para esses prefeitos acelerarem a infra-estrutura necessária”, diz ele.

Mais complicado, porém, será convencer as famílias mais pobres a trocarem seus TVs de tubo pelos novos, com receptor digital integrado. Lembro que, nos EUA, isso foi um tremendo problema em 2009, quando o recém-empossado Barack Obama teve que criar um plano de emergência para o switch-off. Muitas famílias se diziam satisfeitas com sua TV analógica, e o governo teve que subsidiar a troca. Será que veremos o mesmo no Brasil? Ou, refazendo a pergunta, você – como contribuinte – está disposto a bancar mais essa conta?

O pirata do bem

Hyman Strachman (foto) é um americano de 92 anos, veterano da Segunda Guerra Mundial, que para amigos e familiares virou uma espécie de herói. Apesar da idade, e principalmente após ter ficado viúvo, em 2003, ele decidiu dar algum sentido a sua vida, que achava muito monótona. Descobriu então uma atividade inédita, que é hoje o que mais lhe dá prazer: copiador de DVDs.

Aquilo que muitos fazem para ganhar dinheiro, na base do trambique, Strachman faz por pura diversão, sem ganhar nada. Nos últimos oito anos, ele montou em casa um equipamento para copiar filmes e enviá-los a soldados que estão no campo de batalha, em locais como Iraque e Afeganistão. Pelos seus cálculos, já enviou mais de 300 mil discos – pelos quais recebeu milhares de cartas de agradecimento. “Sei que não é certo, mas faço mesmo assim”, disse ele ao The New York Times.

Curioso é que, graças a seus contatos em Hollywood, o homem consegue cópias de filmes que ainda nem estrearam nos cinemas. “Assisti a Os Transformers antes de passar nos EUA”, contou Bryan Curran, capitão do exército que recentemente retornou do Afeganistão. Muitos soldados por lá já assistiram, por exemplo, a filmes que recentemente disputaram o Oscar, como Moneyball e O Artista. “A cada carta que recebo, envio mais filmes”, diz Strachman, argumentando que sabe como os soldados se sentem, longe de casa, porque ele próprio viveu essa experiência. Mas nunca aceitou pagamento pelo “trabalho”.

“Foi essa atividade que lhe devolveu o prazer de viver”, diz seu filho, Arthur. Típico caso de pirataria do bem.

Philips promete OLED na IFA

O site Digitimes, sediado na China, deu a notícia no último fim de semana, citando fontes locais: a TP Vision – joint-venture entre a holandesa Philips e a chinesa TPV – irá mostrar na IFA, em setembro, seu primeiro televisor OLED. O lançamento comercial ainda não tem data certa (seria fevereiro de 2013), mas de qualquer maneira, a se confirmar a informação, significa que as duas empresas falam sério quando prometem disputar a liderança do mercado mundial de displays, como já comentamos aqui. Os painéis seriam fornecidos pela LG, que já confirmou o lançamento de seu TV OLED este ano, inclusive no Brasil.

Para onde caminha o varejo?

Há algumas semanas, comentamos aqui a situação da Best Buy, maior rede de lojas de eletrônicos do mundo, que corre até risco de falência. O assunto é polêmico, mas talvez valha a pena pensar com mais carinho nos motivos que estão levando o comércio tradicional a tantas dificuldades. Provavelmente, no Brasil ainda não haja grandes ameaças porque o mercado consumidor interno está em expansão, com a afluência de famílias que antes estavam fora dessa massa. Mas o fenômeno é mundial.

Esta semana, o site americano Home Media dissecou o problema atual da rede Walmart. Isso mesmo: o maior varejista do mundo. Antes, alguns números interessantes. A rede foi fundada em 1962, numa pequena cidade do estado de Arkansas, por Sam Walton, visionário a quem se credita a invenção do próprio conceito de supermercado. Segundo a Wikipedia, é a maior empresa do mundo em faturamento e a que emprega mais gente (2 milhões de funcionários), embora essa estatística possa estar defasada com o hipercrescimento chinês – lembremos que uma única fábrica da Foxconn emprega 240 mil pessoas.

Muito bem. De olho na queda de movimento em boa parte de suas 8.500 lojas, espalhadas por 15 países, a direção da Walmart decidiu rever seus conceitos. As lojas vão ficar menores, mais automatizadas, e o maior investimento será direcionado para a operação online. Um dos objetivos é roubar clientes da Netflix, através do serviço Vudu de venda e locação de filmes online. Na semana passada, o Vudu passou a oferecer um inédito serviço em que o cliente pode levar seus discos à loja e pedir para copiá-los em formato digital; as cópias ficam armazenadas no servidor da empresa e as pessoas podem acessá-las quando quiserem, pelo vudu.com. A pegadinha é que esses usuários passarão a ter mais contato com o mundo virtual, onde encontrarão uma enxurrada de promoções e descontos no velho estilo Sam Walton.

Vai funcionar? Quem pode dizer? O fato é que o comércio, de qualquer tipo, tem que se adaptar à realidade da internet e ainda não descobriu como. Se há um consolo para os lojistas, talvez seja este: eles não estão sozinhos. Na mesma situação estão diversos outros segmentos de mercado.

O futuro da TV (e do cinema)

Na semana passada, displays 4K foram o principal assunto da convenção da NAB (National Association of Broadcasters), que todo ano reúne em Las Vegas a fina flor do mercado de televisão, incluindo emissoras, produtoras, fabricantes de equipamentos e acessórios etc. Além de uma série de demonstrações, o tema foi discutido em vários seminários e workshops reunindo os maiores especialistas do mundo na área. O Brasil esteve muito bem representado: mais de 300 profissionais daqui foram a Las Vegas, num grupo organizado pela SET (Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão), com apoio do Consulado dos EUA em São Paulo. E quase todos concluíram que a tecnologia 4K será a próxima revolução na televisão.

Só relembrando, 4K é o nome genérico para equipamentos (câmeras, projetores e displays) que produzem imagens de vídeo com resolução de 3.840 x 2.160 pixels, equivalente a quatro vezes a do Blu-ray, que é o máximo dentro da tecnologia disponível hoje (vejam este vídeo). Deve ser, portanto, a próxima geração de aparelhos, embora não se saiba quando estará em uso comercial (mais detalhes aqui e aqui).

Num dos painéis durante a NAB, Fernando Bittencourt, diretor-geral de engenharia da TV Globo, exibiu um documentário sobre o último desfile de carnaval do Rio de Janeiro, que a emissora gravou em 4K. Foram usadas câmeras como esta da foto, modelo CineAlta F65, da Sony. O resultado foi tão bom que a Globo já encomendou algumas dessas câmeras para usar em gravação de novelas. Não, as imagens não serão transmitidas em 4K. Isso ainda não é possível. O material será usado apenas para complementar determinadas cenas com efeitos especiais, segundo Bittencourt. “Mas o 4K irá substituir definitivamente a película de cinema, pois em alguns aspectos produz imagem até melhor”, garante ele.

TV Digital governamental

Continua o impasse entre governo e indústria a respeito da interatividade. Já comentamos o assunto aqui algumas vezes, e a palavra “impasse” talvez nunca tenha sido tão apropriada. Só para refrescar a memória: o governo cismou (não há outra explicação) que todos os televisores devem ser equipados com o software do DTVi (antigo Ginga), para permitir aplicações interativas. E decidiu obrigar os fabricantes a isso. Na prática, não tem como fazê-lo, a não ser via pressões políticas. Politicamente, a indústria não se manifesta. Mas também não move uma palha para atender à exigência.

Duas semanas atrás, conversei com Frederico Nogueira, diretor da Rede Bandeirantes e portavoz do Fórum SBTVD, órgão que estabelece as normas para a TV Digital no país. Por representar as emissoras, Nogueira talvez não seja propriamente isento para opinar, mas afinal é ele quem fala pelo Fórum. Em tempo: este é formado por representantes de todos os setores envolvidos – emissoras, fabricantes, universidades, desenvolvedores de software etc. E Nogueira foi taxativo: “Tão cedo não teremos serviços interativos, porque a base instalada de televisores é muito pequena. Não posso mandar uma mensagem para 100 mil telespectadores, quando minha audiência é de 100 milhões”.

Nogueira ainda foi mais longe: as emissoras estão investindo pouco em interatividade, porque não existe um modelo de negócio adequado para esse tipo de serviço. “Interatividade não existe em país nenhum do mundo”, explicou. “Até agora, isso para as emissoras só representou despesa, nada de retorno. Aliás, a própria TV Digital não aumentou em um centavo o faturamento do setor”.

A tradução, para quem acompanha o mercado, é: tudo vai continuar como está. O governo, na verdade, está fazendo jogo de cena para acalmar o pessoal de software, que – este sim – investiu bastante em soluções de interatividade, na ilusão de que o ex-presidente Lula e o ex-ministro Helio Costa falavam sério quando lançaram a TV Digital, em 2007. Prometeram interatividade, multiprogramação e aparelhos baratos para todos, lembram-se?

Desde aquela época dizíamos que era apenas fumaça… Pois é.

Discos: canto de cisne?

Passando por uma loja paulistana neste fim de semana, fiquei curioso ao ver uma prateleira repleta de LPs. Isso mesmo: discos de vinil, daqueles que colecionávamos na juventude e que, para a minha geração beatlemaníaca, eram a mais perfeita tradução da música. Não pude deixar de reparar, com uma ponta de decepção, algumas diferenças. Primeiro, os discos agora vêm plastificados; não dá para abrir e ver se há algum encarte ou folheto dentro da capa. Segundo: como não são muitos títulos, ficam todos misturados. Um John Coltrane submerso por um Coldplay não é das visões mais edificantes para uma boa loja de discos, certo? Ou não seria, antigamente. Também não há toca-discos disponíveis para ouvirmos “aquela” faixa que, nos velhos tempos, nos faria assinar o cheque na hora. Pois é, nem se assinam mais cheques…

Ah! Sim, os preços. R$ 140 por um LP, ainda que seja um Coltrane, é demais!

Coincidência ou não, isso aconteceu no sábado, mesmo dia em que, nos EUA, comemorou-se o Record Store Day. Cerca de 900 lojas de disco participaram da campanha, a meu ver ingênua, destinada a chamar a atenção do público para a morte do segmento. Como sabemos, as grandes redes de lojas (Tower, Virgin, Discount) que vendiam de tudo em matéria de música não existem mais. Sobraram as tais 900, independentes, que sobrevivem como podem, segundo o site do jornal Seattle Times, que lhes prestou um belo tributo.

Nem estou falando de vinil; essas lojas vendem (bem, tentam vender) CDs mesmo, embora algumas reservem espaço para os velhos bolachões, que nos últimos anos vêm experimentando um revival. Mas a situação é crítica. Um dos entrevistados pelo jornal se queixa de que tablets e smartphones nem têm entrada para CD, assim como a próxima geração de notebooks! É preciso muita paixão para manter um negócio nessas condições.

Não por acaso, o jornal definiu o movimento como “canto de cisne” das lojas de disco. Bem, lá ainda existem 900 delas. E aqui? 100? 200? Seria canto de quê? Urubu, talvez?

Mais telefone, menos rede

Será que lá vamos nós, de novo, tentar virar o mundo de cabeça pra baixo? Diz o Estadão que o Ministério das Comunicações sugeriu ao da Fazenda a isenção de PIS e Cofins (9,25%) para a produção de smartphones. Em contrapartida, os fabricantes não poderiam cobrar mais do que R$ 900 pelo aparelho. Com isso, seria atingido o objetivo de “popularizar a banda larga”.

O argumento do ministro Paulo Bernardo, segundo o jornal, é que isso estimularia as empresas a produzir smartphones no país, coisa que hoje não acontece (a maioria é importada). Smartphone, no caso, é definido como um celular que permite acesso à internet via redes Wi-Fi e 3G, incluindo contas de email e redes sociais.

Como se recorda, a tentativa de popularização já foi feita no ano passado com os tablets, que entraram na Lei do Bem, criada para estimular o mercado nacional de informática. Aumentou a produção de tablets, mas aumentou mais ainda a importação, já que esse é um produto de alta tecnologia, que requer muita especialização e know-how. O consumidor, quando tem a opção, prefere comprar o importado, que é mais confiável. Com os smartphones deve acontecer a mesma coisa.

Mas o pior, a meu ver, é a inversão de valores. Quanto mais aparelhos desse tipo são vendidos, maior a demanda pela banda larga, que continua sendo uma das piores do mundo. Como de hábito, o governo “joga pra torcida” fingindo que quer popularizar, mas na prática só está criando mais um problema. Se houvesse uma política industrial e tecnológica digna desse nome, primeiro se trataria de melhorar a infraestrutura de redes para permitir que, de fato, quem tem um tablet ou smartphone consiga acessar a internet numa velocidade aceitável.

É isso, se houvesse…

Jogando conversa fora

Acabo de descobrir que minha caixa postal está cheia. Quase 40 mil mensagens ficaram salvas no servidor desde não sei quando, a maioria delas absolutamente inútil. Pensei que deletando no computador elas desapareciam automaticamente, mas não: ficam lá guardadas até que um dia não sobra espaço para mais nada e as mensagens que realmente lhe interessam começam a ser recusadas pelo tal “sistema”.

Não sei se alguém conhece um meio mais fácil de me livrar desse problema, mas o que me disseram é que preciso “limpar” a caixa postal manualmente. Deletar todas as mensagens uma a uma. Ou melhor, de 100 em 100, que é quanto o servidor admite em cada página. Fazendo as contas, descobri que preciso apagar “na mão” cerca de 400 páginas que, por mim, nem estariam mais lá.

OK, OK, sei que há uma questão de segurança aí. Servidores fazem back-up de suas mensagens para o caso de um dia você precisar delas. Posso estar ficando paranóico, mas desconfio que a utilidade desses enormes “guarda-volumes” é, digamos, menos nobre. Querem apenas saber o que fazemos, e como, e quando, e com quem. Se meu provedor tem, sei lá, 10 milhões de usuários (deve ser muito mais), imagino o que essa gente gasta para armazenar tanta coisa inútil assim, sem cobrar nada. Só pode ter coisa aí…

Não adianta culpar, pela enésima vez, a praga dos spams. Apago (melhor seria dizer “deleto”, mas detesto essa palavra) diariamente uns 100, pensando estar me livrando deles. Vejo agora que sou enganado pelo “sistema”. Agora, mesmo considerando o back-up pura espionagem, é razoável supor que exista um software capaz de facilitar essa limpeza, não? Por que não posso simplesmente dar um comando e apagar tudo de uma vez, em segundos? Estou com os dedos doendo e ainda me restam mais de 30 mil bobagens a serem apagadas!

Help! I need somebody…

Vale quanto pesa?

A leitora Stela Venancio sugere no blog que os fabricantes de TVs façam como os de automóveis: incluam nos aparelhos um código antifurto, ou algo do gênero. Um TV LED-LCD de 40 polegadas, por exemplo, pesa hoje na faixa dos 13kg (o da foto pesa 5kg…), o que é tranquilo para qualquer criança com mais de 12 anos carregar. Numa época em que virou moda fazer arrastão em casas e condomínios, roubar aparelhos como esse é quase uma tentação – bem diferente dos antigos TVs de tubo (tenho ainda um de 38″ que pesa nada menos do que 104kg e exige três ou quatro fortões para tirá-lo do lugar).

A sugestão pode parecer estranha, mas não é fora de propósito. É difícil encontrar uma seguradora que dê proteção a aparelhos eletrônicos, justamente pela facilidade de transporte. Com os TVs ficando cada vez mais leves e finos, o fabricante que lançasse algum tipo de proteção antifurto certamente ganharia pontos junto aos consumidores.

Fica aí a ideia. Quem se habilita?





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